quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Dias de chuva

A chuva caia no telhado, molhava todo o terreno. Sentia aquele cheiro de terra molhada invadindo o ar. Já se passavam das duas da manhã. A música tocava em minha vitrola velha. Elvis sempre me inspirava nos dias chuvosos. Um minuto de silêncio cortavam meus ouvidos, eram como a sinfonia de Beethoven. Ouvi seus sapatos molhados pelo assoalho da casa, ao primeiro movimento me pareciam sapatos de neve, mas era só seu tênis velho molhado. Meu café esfriava, estava gelado como a noite naquele dia. De que era feito os dias felizes? Amor? Seus tênis me respondiam, era o amor. Um amor tão sublime que me doía o coração. Os cachorros latiam pela vizinhança, os lençóis dançavam com o vento, pareciam amantes em dias de glória. Uma glória almejada por todos os amantes, uma glória apaixonante. A cada passo meu coração dava um trepido, um palpitar incisivo que o talhava. Seus sapatos velhos me indicavam o caminho; é pra lá que devo ir? É pra lá que vou.
A cada minuto a chuva caia mais forte, mais concisa em direção ao mundo, em direção ao meu terreno molhado e castigado pela estação do ano. Troquei minha vitrola, agora era o toca-fitas. Tocava pink floyd, ele adorava suas músicas. Dizia-me que eram as músicas mais simplórias e efêmeras já feitas; tocavam seu coração e me transportavam para seu mundo, onde ninguém mais poderia abalar, era o seu mundo. Eu amava o seu jeito.
Já eram três da manhã, a chuva diminuía. Meu café agora estava quente como os cobertores de minha cama, que cheiravam a orquídeas. Havia muitas em meu quintal, o suficiente para velar um amor completo. Uma gota caiu em meu rosto, caiu feito lágrima, escorreu por toda minha face. Eram dias, tempos, minutos, segundos salgados. Eu estive pensando: “Vai ver que com o verão os dias melhorem, as flores desabrochem novamente, o sol torne a estampar o céu de minha casa”.
Eu só estive pensando. Amanhã bem cedo vou plantar cerejas em meu quintal, perto dos morangos, bem longe das goiabas, onde a formiga não as alcancem. Nessa época elas vêm como pragas, açoitam tudo a seu redor. Por muito tempo conservei-me forte, mas eu estive pensando: “Depois desse temporal o que sobrará de nós?” Não muita coisa, talvez o suficiente para uma próxima estação, mais branda, menos ríspida, onde nem as formigas, nem as goteiras de meu telhado velho nos apoquentem. Quem sabe assim possamos dormir em paz, dormir em meus lençóis dançantes e amantes e meus cobertores quentes de orquídeas.
Mayara Aguiar

2 comentários:

Isabela disse...

opaaaaaaaaaa
primeiro comentario akii
*_*
gostei do nome do blog ;x
fsdauyfgsauydfsgdsfufds

bom trablaho o de vcs


:*

Márcio disse...

Essa garota é um orgasmo...

gostei May. continue escrevendo.