sábado, 3 de maio de 2008

anis

Vivendo alheia, no mundo da lua. A garota parecia feliz com o tênis límpido. De cor e aparência como a alma presumia ser.

Sentada frente a um sofá vermelho escuro com estampa de onça, versava sobre os mais belos mundos e lugares. Olhava para a luminária cinza alaranjada acesa e via cores e formas; passava pelo cintilante, os perolados e prateados. Tudo isso tomando um chá de anis com bolachas gosto de nozes.

Tinha olhos grandes, e em grande parte das vezes, arregalado. Cabelo castanho claro, anteriormente os tinha verde musgo. A mãe, que já havia perdido a paciência, dizia que a filha sofria de insanidade sem delírio. Faltava-lhe alguma consideração e respeito intrínsecos.

Idônea em chorar, sabia que não podia mais viver tão calada.

“vive no mundo da lua?” “minhas idéias vivem cheias, por isso vivo calada” retorquia em tom suave e olhos que desviavam.

Que maneira absurda e absoluta de absorver a falta de dialogo a moça dos olhos arregalados tinha. Doratheia Divina num Fecho de Luz, dito por completo.

o sorriso,
os dentes,
tudo libertava Luz, que de tanta escuridão enxergava mais com o corpo do que com a alma. os olhos ficavam arregalados a observar a luminária, agora apagada pelo tempo.

E, de repente, a mulher virava menina; e sentiu um bicho dentro, a menina chorava. Entre os goles de anis via a fumaça esvair-se em suas mãos.

Caiu sentada no chão, queria deitar mudar-se pra lá. Chorou, virou bicho por ser mulher de novo. A luz alaranjada da luminária misturava-se com o anis em seus pensamentos. Lia versos, poesia de antigamente. Queria ser poeta, escritora, e menina. Chorou de novo.

No fim, encantada com o escuro perguntou “onde tu moras, paz?” O escuro calado, fechado acostumou-se com a idéia de fim de história.


Mayara Aguiar

2 comentários:

Camiila disse...

Ela é uma poeta tuberculosa incompreendida do século 19!

munstersplace disse...

Tão inquietante isso ,
me faz até pensar em futuro de uma forma real ;~
sempre vejo meu futuro como um sonho em que vou viver feliz p sempre =/